E. WILLEMS - 1890 1978
Aluno e seguidor das idéias de Dalcroze, o belga Edgar Willems também se radicou na Suíça, aonde aprendeu com seu mestre uma nova forma de se relacionar com a Educação Musical. Willems relaciona a música à natureza humana e, em sua proposta, dedica-se ao estudo da audição em seus três aspectos correlativos: físico (ou sensorial), afetivo e mental. O pedagogo musical propôs que toda a criança pode ser preparada auditivamente, de modo a aprender a ouvir os materiais sonoros básicos que compõem a música e a organizá-los com a experiência musical. A contemporaneidade deste pensamento parece servir de fonte para os novos Métodos Ativos.Edgar Willems propõe que o preparo auditivo deve preceder o ensino de um instrumento musical específico, pois a escuta é a base da musicalidade.
Na sistematização de seu método, Willems propõe exercícios especiais para a distinção auditiva dos parâmetros do som, especialmente no que tange ao parâmetro altura, procurando desenvolver não somente a capacidade de diferenciação dos tons e semitons, mas também o espaço intra-tonal. Ele atribuiu grande importância à renovação na educação musical. Esta renovação passaria primeiramente pela admissão do fato de que existe uma ligação bem estreita entre a arte e a psicologia. Assim, a música deveria ser olhada sob o ângulo psicológico, ou seja, o estudo das ligações que unem a música e seus elementos essenciais à natureza humana. Esses elementos (o ritmo, a melodia, a harmonia, a composição e a inspiração), segundo Willems, receberiam seus impulsos de certos aspectos correspondentes à natureza do homem. Dessa forma, o ser humano no seu todo, sensorial, afetivo e mental, vivenciaria a prática musical e para ela contribuiria.
Assim, a educação do ouvido musical é um ponto-chave na teoria de Willems. Na obra em que trata da preparação musical das crianças pequenas, Willems (1962) descreve a importância de um despertar musical precoce. No período pré-escolar, de três a seis anos, a criança se encontraria num amplo amadurecimento cerebral. Desse modo, as características de seu método estão preconizadas a partir de duas características essenciais: o conhecimento aprofundado dos princípios psicológicos da educação musical, princípios esses baseados nas relações existentes entre os elementos fundamentais da música e os da natureza humana, e a disposição de um material musical apropriado para o começo de uma educação sensorial das crianças. Poder-se-ia educar o ouvido musical através do reconhecimento de sons, intensificação da imaginação auditiva para reter na memória melodias e harmonias etc., através das seguintes faculdades de análise e síntese: a sensorialidade auditiva (atividade orgânica); a sensorialidade afetiva auditiva (emoções e impactos sonoros exteriores); e a inteligência auditiva (tomada de consciência do que ouvimos). Para o autor, o problema do desenvolvimento auditivo estaria relacionado a esses três aspectos.
Em outra obra, Willems (1981) diz que a audição se desenvolve de duas maneiras: a primeira, pela diferenciação dos sons escutados sucessivamente, e a segunda, pela capacidade de percepção das simultaneidades dos sons. Ele destaca a importância de um trabalho de análise na preparação auditiva, pela qual o ouvido aprenderia a dissociar os sons de modo que esses se apresentariam como elementos separados e sucessivos. O ouvido se desenvolveria na medida em que fossem adquiridas noções suficientes sobre o som. O mundo sensorial seria a introdução para um mundo mais abstrato, e o intelecto permitiria a passagem do concreto ao abstrato. Esse pensamento de Willems parece assinalar sua aproximação à resolução da problemática referente à compreensão dos processos de aprendizagem. A marcha geral do desenvolvimento auditivo seguiria os seguintes passos, no pensamento de Willems:
a) experimentação do som pela criança através de jogos musicais e materiais sonoros específicos;
b) o despertar da criança para o amor ao som, o desejo de reproduzi-lo através do desenvolvimento de sua memória auditiva, fazendo apelo a sua imaginação na criação e improvisação musical;
c) consciência sensorial, auditiva e mental do mundo sonoro pela criança.
Willems (1962) fala sobre a natureza da memória em música. Para ele, a memória rítmica possui uma natureza motora, e a memória do som, uma natureza sensorial e afetiva. Já as palavras seriam de natureza mental. Por isso, explica o autor, as crianças poderiam cantar antes mesmo de falar.
WILLEMS, Edgar. Preparación musical de los má pequenõs. Buenos Aires: Eudeba, 1962.
_____. El valor humano de la educacion musical. Buenos Aires: Pro Musica, 1981.
Nas aulas de Metodologia do ensino da música -metodologia de Edgar Willems experimentamos exercícios de:
ritmo: marchando, galopando, andando, saltando, correndo, pulando...
Edgar Willems (1890-1978), discípulo de Dalcroze, também valorizou a ação corporal. Ele considerou que o verdadeiro ritmo está presente em todo o ser humano, está implícito em ações como andar, respirar, o pulsar do sistema circulatório e movimentos sutis causados pela emoção ou por pensamentos. Todos esses são movimentos instintivos que devem ser utilizados pelo educador para despertar a vivência interior do ritmo. Há uma oposição entre o instinto rítmico e o cálculo rítmico. O primeiro está no campo da vida e nas leis do movimento, o segundo é a conscientização das formas e das regras rítmicas. Cabe ao educador diferenciar cada um deles. O movimento humano acontece no tempo e no espaço, o ritmo possui propriedades plásticas como rigidez, elasticidade, flexibilidade e peso. Essas propriedades podem ser utilizadas na educação rítmica, assim como na criação artística (WILLEMS, 1956, p. 32-45).
Para Willems a imaginação motora deve conter experiências rítmicas com base em experiências efetivas. Após o aluno ter vivenciado o ritmo no corpo por meio da imitação ele adquire a imaginação motora. Nem mesmo os movimentos regulares devem ser executados mecanicamente, mas de uma forma natural e vivida: “digamos desde agora que todo o sistema não baseado no instinto do movimento corporal ou anímico é perigoso e às vezes completamente falso para a vida rítmica” (WILLEMS, 1956, p. 38).
Cds:
Sensorialidade auditiva
sensibilidade auditiva
Acuidade auditiva: solfejos (construção mental), desasociar nota de seu nome;
Parâmetro altura: diferenciação dos tons e semitons, como também o espaço intra-tonal.
Materiais utilizados em sala:
sinos de diversos tamanhos ( desasociar tamanho de altura), famílias de sinos (timbres);
carrilhão intra tonal: instrumento criado por Edgar Willems;
tubos sonoros: produzem a tríade ao rodá-los